sábado, 21 de fevereiro de 2009

No mais, permaneço com meus vidros enegrecidos.

Se o Ser daquilo que somos se movimenta, não faço a menor idéia. Sei apenas que o Heidegger disse que a linguagem é a morada do ser e o que o Gadamer disse que o ser só pode ser na linguagem. Partindo dessas concepções, poderíamos pressupor que um desses senhores da gramática, sisudos como um atendente de boteco de quinta categoria, desses que vendem ovos vermelhos por detrás de caninhas com nomes pra lá de estranhos, como Diabo de Dentro, Porta de Fora e afins, seria o Guardião das Portas do Ser. Mas o fato é que nem o Heidegger nem o Gadamer estavam certos ao falar o que falaram. Se falaram, falaram dentro daquilo que podiam nomear, dentro daquilo que podiam saber da mesa na qual escreviam, sendo que além do fato da mesa se chamar mesa, “no mais é tudo, quase nada e coisa e tal”, como bem profetizaram os caras do Graforréia Xilarmônica. E partindo dessas curtas linhas, é que a Ana Valeska, moça que desbrava uma Floresta Negra tropical na qual nenhum pensador germânico sequer teve coragem de penetrar, devassa suas frases com o ímpeto de quem sabe que se o coração se move na sístole/diástole diária, o sentimento se move no batimento da pele contra a pele, do choro contra o choro e da vida contra a vida. E ainda que talvez o Ser não esteja em movimento, nós somos modos de Ser. E se somos modos de Ser, portanto somos expressões do Ser que por conseqüência se movimenta pelo simples fato de Ser. E a Ana confirma isso porque tenho certeza que ela existe. Vale conferir e descobrir quem somos ao descobrir essa moça, cuja cabana na rede, certamente rodeada por um jardim de gerânios vermelhos, está no http://oseremmovimento.blogspot.com/. No mais, permaneço com meus vidros enegrecidos.

Um comentário:

Ana Valeska disse...

Como é que eu seguro essas batidas no meu coração, esse movimento de arrebatamento, depois de ler tuas palavras...
Muito grata pelo carinho, Eduardo.
Muito lindo teu texto, ser de luz com vidros enegrecidos.
Bj.